SEDENTÁRIOS DA FÉ


"Levante-se! Esta questão está em suas mãos, mas nós o apoiaremos. Tenha coragem e mãos à obra!" (Ed 10.4 / NVI)

No período dessa passagem, os judeus pós-cativeiro babilônico estavam casando-se com mulheres estrangeiras, o que era uma abominação à Deus. O sacerdote Esdras, vendo essa situação, assenta-se em praça pública, chora indignado e ora ao Senhor. Os líderes do povo achegam-se à ele e reconhecem seus pecados e pedem para que ele, sendo o líder espiritual, tome uma atitude, pois eles o apoiariam.

Aprendemos nesse texto que em algumas situações de nossa vida, para que se resolvam problemas ou causas dêem certo, temos que tomar uma atitude. Ensinam-se em muitas igrejas que "basta esperarmos e Deus nos dará tudo"; prega-se um "evangelho comodista" em que a pessoa não precisa fazer nada, somente pedir e aguardar, pois "a benção chegará até ela", como se fosse um "disk pizza". Multidões são levadas por esse "caminho de facilidades"; pregadores as inflamam com jargões, versículos isolados ou distorcidos; cantores entoam músicas triunfalistas; induzindo-as ao engano. Entretanto, engloba-se aqui o costume dos seres humanos de quererem que os outros resolvam seus problemas, em vez deles mesmos buscarem a solução. 

Essa mensagem errônea está formando "sedentários da fé". Cristãos que não exercitam a sua fé, e por não a exercitarem acabam ficando "atrofiados espiritualmente". A nossa fé deve ser viva, e tudo que está vivo deve estar em constante movimento e/ou transformação. Logo, a nossa fé tem que estar em movimento, em outras palavras, ser praticada. E aonde? No dia-a-dia, em situações favoráveis ou adversas; só assim nos fortaleceremos espiritualmente. E se não agirmos dessa forma? Então a nossa fé não é viva, e se não é viva, é fé morta, e como disse René Kivitz: "se é morta, não é fé, é fétida"; ou seja, seremos como "sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro..." (Mt 23.27 / NVI).

É certo que, a luz da Bíblia, existirá situações em que somente esperaremos e a providência divina virá; haja vista o caso do rei Josafá, em que Deus disse: "Nesta peleja, não tereis que pelejar... (2Cr 20.17)"; ou quando da crucificação de Cristo, em que só restava aos apóstolos aguardarem até o terceiro dia para a Sua ressurreição. Mas eles não serão uma constância em nossa vida, haverá situações em que teremos que agir, obviamente pedindo direção e sabedoria à Deus.

Existirá questões que estarão em "nossas mãos" como: filhos envolvendo-se com a marginalidade, ou crise no casamento, ou desemprego; em que não adiantará ficarmos sentados esperando para ver se esses problemas se resolvem por si só, mas devemos ter coragem, levantarmos e pedirmos graça à Deus para vencermos essas situações complicadas. Quando nos convertemos à Cristo, não achamos alguém para resolver todos os nossos problemas, mas encontramos um "companheiro" de todos os momentos, até mesmo nos difíceis; e em alguns Ele irá resolver para nós, só que em outros Ele nos auxiliará a resolvermos.   

Chega de "sedentarismo" espiritual! Levante-se... e mãos a obra!

One Response so far.

  1. Graça e paz amado!

    Você não sabe o quanto ler o seu texto me deixou feliz. Se na Assembléia houvesse mais pessoas iguais a você certamente não veriamos tanta corrupção moral e espiritual como temos presenciado.
    É exatamente esse pensamento que nos levará a uma nova reforma na Igreja. Gostei muito da sua expressão "pregadores as inflamam com jargões, versículos isolados ou distorcidos; cantores entoam músicas triunfalistas; induzindo-as ao engano". Ora, é isso mesmo que temos observado na Igreja hoje. Mas Deus tem levantado um remanscente que irá contra toda essa apostasia e proclamará as verdades eternas da palavra de Deus, doa a quem doer.

    Parabéns irmão!

    Soli Deo Gloria!

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