CONTINGÊNCIA OU OPORTUNISMO?
Antes de iniciar de fato a minha argumentação, quero salientar que tenho a convicção de que a minha pessoa perante Ricardo Gondim (em relação ao cenário cristão brasileiro) é irrisória. E que o meu blog é inexpressivo na blogosfera cristã, porém, sinto-me impelido em manifestar minha opinião. Não pretendo me deter em analisar e refutar parágrafo por parágrafo do texto de Gondim, alguns irmãos blogueiros (mais competentes do que eu) já fizeram isso. Quero apenas fazer algumas ponderações sobre o ocorrido.
Primeiro, é frustrante ver um irmão de grande categoria se embrenhar no liberalismo teológico. Confesso que, durantes alguns anos, fui ouvinte assíduo de Gondim e influenciado por suas mensagens, mas conforme ficava evidente o seu distanciamento da ortodoxia cristã, fui obrigado a parar de ouvi-lo. Eu relutei muito (e por isso demorei) para escrever esse texto justamente por causa dessa "admiração" que tive por ele. É sabido por todos que a transformação de Gondim teve "início" com sua aderência ao Teísmo Aberto, que ele insiste em chamar de Teologia Relacional. O episódio da contingência é só mais um capítulo na sua derrocada ideológica, que já inclui os casos do apoio a união homossexual, ao aborto e o horizonte utópico.
Segundo, sua teoria da contingência é estapafúrdia, não se sustenta quando analisada à luz da Bíblia. Dizer que Deus não é Onisciente, é “jogar fora” passagens como a destruição do Templo de Jerusalém predita por Jesus (Mt 24), ou o Cativeiro Babilônico profetizado por Isaías e Jeremias, ou ainda as Profecias Messiânicas, até mesmo o Apocalipse. Querer embasar essa teoria com a alegação de que “um Deus que permite que isso aconteça é maquiavélico”, é simplesmente esdrúxulo. É querer rebaixar a vontade de Deus à meros sentimentos humanos, é tentar explicar com a nossa limitada compreensão os desígnios do Criador. É rejeitar o que está escrito em Ezequiel 18.23:
“Teria eu algum prazer na morte do ímpio? - palavra do Soberano Senhor.”
Por último, é lamentável o oportunismo disfarçado em seu texto. Não houve respeito pelo sofrimento das famílias enlutadas e pela comoção nacional, pelo contrário, ele aproveitou-se disso para (novamente) propagar suas teorias e atacar seus críticos, os quais ele tem por costume chamar de fundamentalistas, que na verdade são os cristãos de fé reformada, fé que um dia ele abraçou, mas depois renegou. Não adianta Gondim concluir seus textos com "Soli Deo Gloria", para dar a impressão de que seus escritos estão de acordo com os princípios da Reforma Protestante e que, portanto, são confiáveis, pois não estão em consonância nem com a Reforma, nem com os reformadores, muito menos com os reformados. Sua teoria da contingência não dá "a Deus somente glória", ela vai contra a Soberania, inferiorizando e subestimando o Senhor, tornando-o num ser que não conhece todo o futuro e que nada determinou, porque se o fizesse, Ele seria mal. Ou seja, isso não tem nada a ver com os ensinos do reformadores.
No demais, às famílias envolvidas nessa tragédia, meus pêsames e minhas orações por consolo da parte de Deus.

