PALAVRAS SEM PENSAR
Há alguns dias ouvi de uma amiga, uma breve alegoria muito interessante. Sobre um rei, cujos dentes caíram todos de uma vez. Preocupado, o rei decidiu consultar um dos sábios de seu reino. O sábio disse ao rei que isso era um sinal de que o rei veria todos os seus parentes morrerem. Enfurecido, o rei ordenou que o sábio recebesse cem chibatadas. O rei decidiu procurar outro sábio do seu reino. Este sábio, disse ao rei que a queda de todos os seus dentes era um sinal de que o rei teria uma vida longa e viveria mais do que todos os seus parentes. Feliz, o rei ordenou que o sábio recebesse cem moedas de ouro. Curiosos, os nobres da corte perguntaram ao rei o porquê que o primeiro sábio recebera cem chibatas e o segundo cem moedas de ouro, pois ambos deram a mesma notícia. O rei respondeu que a diferença estava na forma como cada sábio dera a notícia.
Não irei dizer que as “palavras têm poder” ou coisa do tipo, pois isso seria confissão positiva, e isso é neopentecostalismo e antibíblico. Porém, a forma como falamos e quando falamos, podem influenciar tanto positivamente quanto negativamente os resultados obtidos. Existem relacionamentos que estão em crises justamente por causa de palavras inapropriadas; e quando digo relacionamentos, me refiro em todos os âmbitos possíveis, pois a sociedade é sustentada por relacionamentos, sejam conjugais, fraternais, profissionais, etc. A própria Bíblia adverte que a forma como falamos, pode trazer consequências boas ou ruins:
“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.” (Pv 15.1)
Infelizmente, muitas vezes não pensamos bem antes de falar ou não nos seguramos para evitar proferir palavras ásperas que causam um grande mal. Por esses dias, aconselhei um casal cujo relacionamento está desgastado por conta da maneira como se tratam mutuamente. Foi uma situação complicada, acusações, palavras insensatas, mágoas passadas, e eu tentando apaziguar e ajudar na reconciliação. Esse casamento não precisava ter chegado nesse ponto, em que as “feridas” estão profundas e a separação é quase certa. Em relação à dificuldade que é “reconquistar” alguém depois de uma ofensa, a Sagrada Escritura nos adverte:
“Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela.” (Pv 18.19)
Precisamos ter muita prudência ao falarmos, principalmente nos momentos de intensidade emocional, quando ficamos mais expostos sentimentalmente e suscetíveis a dizermos o que não devíamos ou mais do que devíamos. Temos que ter sabedoria ao falar, para isso devemos pedir sabedoria ao Pai:
“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (Tg 1.5)
Mesmo que isso seja difícil, por causa dos resíduos de nossa natureza decaída, devemos nos sujeitar ao Soberano Deus em todos os âmbitos de nosso ser; até no falar, pois a Bíblia nos ensina que uma palavra bem dita é como um tesouro:
“A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata.” (Pv 25.11)

