A OBSTINAÇÃO DO RESTAURACIONISMO
De tempos em tempos surgem, no Cristianismo, movimentos restauracionistas, adotando sempre o mesmo discurso: "A Igreja se deturpou e precisa ser restaurada". Restauracionistas sustentam suas convicções com argumentos espúrios como: "a igreja Católica adulterou as traduções bíblicas", "Constantino manipulou os dogmas", "inseriram crenças e praticas pagãs na Igreja", etc. O restauracionismo foi a base para a criação de seitas e heresias, das quais destacam-se o russelismo, o adventismo e o mormonismo.
Tenho notado a proliferação de ideais restauracionistas em blogs e redes sociais (o que particularmente me parece fanatismo irracional). Além das falacias repetitivas, do tipo: "Constantino", "pagãos", "a Grande Apostasia", e toda aquela parolagem; esses restauracionistas pendem à costumes judaizantes (algo também nada novo em restauracionismo), como o uso do hebraico (e as vezes do grego) para nomes bíblicos, em vez das comumente formas aportuguesadas. Eles validam tal prática com a afirmação: "nome próprio não muda em nenhum idioma". Com isso eles criticam os nomes Cristo, Jesus e outros mais; e usam Yehshua, YHWH, Yohanan, Yaakov, etc.
Entretanto, tais restauracionistas pecam em algumas questões básicas. Por exemplo, o fato da Bíblia ser a exceção da "regra" do nome próprio, isso por causa da universalidade da Sua mensagem, ou seja, é para todas as nações, não está submetida a culturas e dialetos. Seguindo o raciocínio deles, então não deveria-se traduzir a Bíblia para língua alguma, mantendo-a somente no hebraico e grego, assim sendo, todos deveriam aprender a ler nesses idiomas. Aliás, a maioria desses restauracionistas não sabem ler e escrever em hebraico e grego! Aprendem algumas pronuncias hebraicas e gregas, e se passam por especialistas em linguística bíblica; detalhe, escrevem as palavras mais com o alfabeto latino do que com os alfabetos hebraico e grego.
Outrossim, eles dizem que “os nomes bíblicos, na forma como estão hoje, foram inventados e inseridos, não estavam nos Escritos originais”. Ora, percebe-se que eles possuem conhecimento ínfimo sobre crítica textual e arqueologia bíblica; até porque, os mais antigos fragmentos de manuscritos descobertos até hoje, são cópias. Então como eles sabem que estão diferentes dos originais, haja vista estes terem se perdido?
Ainda falando sobre transliteração, a própria Bíblia mostra que isso já acontecia no período neotestamentário, como no caso de Pedro:
"[...] Jesus olhou para ele e disse: 'Você é Simão, filho de Jonas. Será chamado Cefas' (que significa Pedro)." (João 1.42)"
A transliteração grega de Cefas é Pedro. Ou devo dizer Petros ou Πέτρος? E a transliteração hebraica de Pedro é Cefas. Ou devou dizer Kepha ou כיפא?
Porém, mesmo com toda essa minha argumentação (que reconheço ser simplória), sei que os adeptos do restauracionismo não se convencerão e questionarão e criticarão, pois acreditam em "teoria da conspiração" e sofrem de "complexo de messias", enfim, são teimosos obstinados.

