PROTESTANTES QUE NÃO PROTESTAM


O termo "protestante" tem suas origens no movimento europeu, do século 16, conhecido como Reforma Protestante. Esse movimento foi chamado "Reforma" pelo fato de padres, monges e outros intelectuais pertencentes ao clero, clamarem por uma reforma na Igreja Católica Romana, tanto doutrinariamente quanto moralmente. Os expoentes deste movimento foram Lutero, Calvino, Zuínglio e Knox, conhecidos como reformadores. Já "Protestante" vem do fato dos reformadores protestaram contra a depravação do clero e os dogmas católicos (indulgências, vicariedade papal, salvação por obras, veneração de imagens, etc.), por isso que eles exigiam reforma.

Todos os cristãos que aderiram a Reforma Protestante foram chamados de protestantes. Ao longo de sua história, os protestantes fizeram jus a esse nome, participando positivamente de "movimentos de protestos" religiosos, políticos ou sociais. Como na luta pela abolição da escravatura dos Estados Unidos, onde os quakers contribuíram efetivamente; ou na fundação do Greenpeace, em que (novamente) quakers estavam entre os membros fundadores; ou ainda o pastor batista Martin Luther King, líder dos protestos contra a segregação racial nos Estados Unidos. Muitos seriam os possíveis exemplos que poderíamos citar para ressaltar que "protestar" é uma das características dos protestantes.

Entretanto, com o advento do Evangelicalismo (mais especificamente a partir da segunda metade do século 20) o termo "protestante" virou sinônimo de "evangélico", e (especialmente no Brasil) usado de forma genérica à todas as correntes protestantes: tradicional, pentecostal e neopentecostal. Porém, o problema não é a descontinuidade do termo protestante, mas a descaracterização do protestantismo, em outras palavras, o enclausuramento nos templos denominacionais (fui hiperbólico), deixando os cristãos da atualidade (a maioria) avessos aos problemas religiosos, políticos e sociais. "Alienados" que não criticam, não protestam contra as heresias de seus líderes, a corrupção dos políticos, as injustiças sociais! Como disse o irmão Ruy Marinho: "acríticos conformados". 

Talvez seja esse o motivo da preferência em serem chamados "evangélicos", para fugirem da responsabilidade que pesa sobre a designação "protestante" (fui hiperbólico novamente). Com exceção de alguns irmãos (uma minoria), os cristãos hodiernos são PROTESTANTES QUE NÃO PROTESTAM.

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