PLATÃO TINHA RAZÃO



Platão foi um dos fundadores da Filosofia Ocidental; viveu em Atenas, na Grécia Antiga; seu pensamento influenciou muitos Pais da Igreja; dentre seus diversos escritos está a Alegoria da Caverna que, de forma resumida e em liguagem coloquial, é mais ou menos assim:

"No fundo de uma caverna vivem homens, que sempre estiveram ali, e que estão com suas pernas, braços e pescoços acorrentados, de forma que eles não conseguem se mexer e nem olhar para os lados, somente para frente. Esses homens estão voltados para a parede da caverna e as únicas coisas que eles vêem são as sombras projetadas nessa parede, vindas da luz de fora; são sombras de pessoas, animais e objetos que passam pela entrada da caverna. Por nunca terem saído da caverna e nunca terem visto os seres reais, crêem que as tais sombras são a realidade. Até que um deles consegue se libertar das correntes, e com muito esforço consegue sair da caverna. Quando chega ao mundo real, vê a luz do Sol, vê os seres que originam aquelas sombras e descobre que até agora seu conhecimento das coisas era somente parcial, e que existe muito mais para ele do que 'sombras'. Esse mesmo homem decide voltar à caverna para ajudar seus companheiros a se libertarem. Chegando lá, seus companheiros, ao ouvirem suas descobertas, zombam dele, dizem que está louco e agarrando-o, matam-no."

Platão tinha razão. Sua mensagem através dessa alegoria ainda tem vigor na atualidade, aliás, elucida a situação de muitos cristãos desta geração. Que vivem "acorrentados" por pregações espalhafatosas de ludibriadores, autoritarismo de líderes nefastos, coerção de denominações ditatoriais, usos e costumes farisaicos, paradigmas jactanciosos. E por conviverem desde a sua conversão (nascimento na fé) com esse "pseudocristianismo", que se apresenta como o cristianismo verdadeiro, crêem que estão desfrutando do propósito de Deus para suas vidas. Porém, ainda estão dentro da "caverna", "de costas" para a Luz do mundo (Jo 8.12). Comunidades inteiras vivendo de "sombras" e achando que isso que é o Evangelho.  Os "gurus" dessa "indústria de inescrupulosos" oferecem "sombras" como se fossem a realidade, mas são apenas coisas efêmeras, ilusórias, transitórias; que não se comparam com o genuíno conhecimento da Verdade (Jo 8.32).

Entretanto, alguns cristãos estão conseguindo se libertar dessas "cadeias" e buscam sair dessa "caverna gospel" que se instaurou no cerne das igrejas. Irmãos que estão alcançando a verdadeira liberdade em Jesus Cristo; enxergando com seus próprios olhos, não com os de um "xamã", o real sentido do chamado ao Evangelho; e que (como na alegoria de Platão) sabem da importância, e urgência, de alertar aos que ainda estão "aprisionados" por uma mensagem pífia de condutores cegos (Mt 23.24). Todavia, esses "desbravadores" têm sofrido com a fúria e a difamação de muitos que não querem (porque não serão beneficiados com isso) a libertação dos que ainda estão na "caverna". Só que o estopim foi aceso e já não há mais volta! Um movimento de protestantes (semelhantes a Lutero e os demais reformadores), contra as estapafúrdias do "evangeliquês", cresce paulatinamente. Nas fileiras desse movimento encontram-se pregadores, escritores e, é claro, blogueiros! Que buscam um cristianismo lúcido, livre das aberrações que hoje imperam; que anseiam por cristãos que não se deixam levar pelo emocionalismo contaminador, mas que dosam com a razão, que pensam, e porque não dizer, que são pensadores cristãos.

Pode parecer um discurso idealista e utópico, mas é o objetivo de irmãos e irmãs que clamam por uma Nova Reforma na Igreja. Essa é a minha singela contribuição ao "coro" de vozes que clamam no deserto.

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