ESPERANDO O MELHOR

Amados, existe uma passagem bíblica que sempre me chama muito a atenção, ela encontra-se em Atos 13.50,51. Paulo e Barnabé estavam pregando numa sinagoga em Antioquia da Pisídia e o texto diz:
 "Mas os judeus instigaram as mulheres piedosas de alta posição e os principais da cidade e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-os do seu território. E estes, sacudindo contra aqueles o pó dos pés, partiram para Icônio."
Esses apóstolos foram perseguidos por inveja, expulsos da cidade, tidos como indignos de conviverem lá. Sendo que eles praticavam o bem (estavam a pregar Jesus Cristo, o Amor, a Salvação), mas isso não os esmoreceu, após a expulsão eles "sacudiram a poeira" e foram pregar em outra cidade, ou seja, não se abateram com a adversidade, com a frustração, mas continuaram suas vidas. Eles poderiam ter desistido, mas eles tinham a convicção de que decepções surgem, mas nem por isso eles deixariam de viver, de ter esperança; sim, porque eles não sabiam se indo para Icônio seriam tratados melhor (e não foram, a sequência do texto mostra que em Icônio eles tiveram o mesmo tratamento), mas eles foram para aquela cidade, na esperança de serem bem recebidos, de pregar o Evangelho livremente e converter toda a cidade.

É uma visão da realidade muito triste o fato de existirem pessoas que não querem ter esperanças de que "vai dar certo", achando que assim estarão livres de frustrações. Não digo que o "positivismo exarcebado" esteja certo, mas se não tivermos esperança do que nos adiantaria viver, se não sonharmos do que nos serviria a existência. Afinal, ninguém deixa um "espaço na sua agenda" para o sofrimento, para a derrota, para a decepção, para desgraça.
Será que uma mulher, cujo esposo é alcoólatra e toda vez que chega em casa a espanca e, ao irem para cama, tem relações com ela à força e na manhã seguinte ao levantar para cumprir seus afazeres domésticos ela já pensa: “deixa-me preparar para a madrugada, quando o meu esposo chegar bêbado, me bater e me obrigar a deitar-me com ele, contra a minha vontade”? Não! Ela, mesmo que com a boca diga outra coisa, no seu coração ela alimenta a esperança de que “hoje ele vai chegar sóbrio”, e mais, que ele vai largar de vez o vício, que ele nunca mais vai bater nela, que ele vai voltar a ser aquele homem carinhoso, atencioso, que um dia ela conheceu e se apaixonou, mas esse dia não chega... Mas ela insiste nisso porque ela o ama, porque ela quer que seus filhos cresçam com o pai.

Nosso cotidiano é repleto de positivismo, de esperança. Nós cursamos uma faculdade na esperança de que através disso conseguiremos um emprego melhor, um salário melhor, para desfrutar de um “conforto” maior, mas na verdade não sabemos se iremos alcançar esses objetivos.
A fé cristã é de certa forma positivista, pois alimentamos a esperança de que no além, no pós-morte, iremos morar no paraíso, que alcançaremos a vida eterna; não digo que a nossa fé é baseada somente nisso, se não seria egoísmo, pois seriamos cristãos não por Jesus, mas para não irmos para o inferno. Só que a “promessa” de ir morar para sempre no céu, de herdar a vida eterna, está intrínseco no Evangelho.

Entretanto, não podemos também viver uma vida de ilusões. Muitos e muitos vivem o hoje desejando viver o amanhã. É grande o número de pessoas que não querem encarar a realidade que estão condicionadas. Alimentam fantasias de como seria se tivessem nascidos numa família rica, ou se tivesse tomado outra decisão em vez da que tomou, ou se tivesse casado com aquela pessoa em vez da que está casada. Muitos lêem livros de auto-ajuda-cristã, participam de palestras motivacionais evangélicas, ouvem pregações triunfalistas, tudo isso por quê? Por que eles não querem viver suas realidades! Preferem receber uma dose de mentiras, como se fosse uma espécie de “droga alucinógena”, tornando-os dependentes dessa droga para continuarem a viver. Sempre buscando desesperadamente, como “viciados”, outra dose para acalentar suas almas aflitas.

Cristianismo não é viver uma vida ilusória, mas também não é viver uma vida sem esperança.  Temos que ter consciência que a realidade, na maioria das vezes, é dura, mas não podemos deixar de ter esperança, se não deixamos de ser seguidores de Cristo. O problema não é quando a frustação vai vir, mas como a enfrentamos quando nos deparamos com ela, e mais, como agiremos depois que ela passar. Nós nunca vamos além de nossos sonhos. Observaram o que disse? Vou repetir. Nós nunca vamos além dos nossos sonhos.

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